MÚsica Gospel

POR ELVIS TAVARES
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João Alexandre: 'É possível se contaminar ouvindo música popular ou evangélica'

Publicado em 15-02-2017

Texto: Redação Efrata Music

Tags: gospel e popular  

Para João Alexandre, os evangélicos devem ter participação mais ativa nos rumos do país
Para João Alexandre, os evangélicos devem ter participação mais ativa nos rumos do país

O cantor e compositor João Alexandre foi o convidado de Elvis Tavares no especial de 1 ano do programa Onde os Fracos Têm Vez (OFTV), que foi ao ar no último sábado (11/02), pela rádio Sara Brasil FM, de Florianópolis (SC). A escolha não foi por acaso. Assim como o apresentador costuma se valer de trechos de músicas populares para contextualizar a criação de obras evangélicas, a despeito da ideia de separação entre secular e sacro defendida por muitos cristãos, o músico paulista, também sem se importar com possíveis críticas, é conhecido por inserir elementos da MPB em seu repertório. Influência nítida em canções tocadas ao longo do especial, como João Brasileiro, dona dos versos "Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não/ Sou profeta do samba, do frevo e do maracatu"; O fim de todos nós, xaxado da "cartilha" de Luiz Gonzaga; e Em nome da justiça, que evoca o samba-MPB de Gonzaguinha.

Perguntado por Tavares se os evangélicos devem ignorar a cultura musical brasileira e se é possível "se contaminar" ouvindo MPB, João Alexandre mostrou outra faceta conhecida: a sinceridade.

"Há como se contaminar ouvindo tanto música popular como evangélica", disse o cantor, enquanto, ao fundo, tocava sua versão de Novo tempo, de Ivan Lins e Vitor Martins. "Deus não é evangélico, não nasceu em nenhuma igreja. Evangélicos somos nós. Deus é antes da fundação do mundo; antes de tudo existir, Ele existia. Como diz o versículo: 'porque por meio Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas', não só as coisas evangélicas", acrescentou.

João Alexandre foi além, afirmando que o grande desafio do cristão é enxergar Deus naquilo que não é evangélico ou religioso.

"Deus dá talento a todos os homens, e dá gratuitamente, não depois que o sujeito se converte", ponderou. O cantor prosseguiu: "O que a pessoa faz com esse talento define todo o resto de sua vida. Por isso, a gente não deve desperdiçar o talento de ninguém, seja evangélico ou não. Quanto à convicção de fé de cada um, a gente tem que 'examinar todas as coisas e reter o que é bom'. Assim como existem mensagens pregadas por um pastor em que não se aproveita nada, existem músicas compostas por um não cristão em que se aproveita tudo: melodia, harmonia, ritmo, letra... Então, não é possível que a gente jogue tudo isso fora como se não viesse de Deus. Tudo vem Dele e para Ele retorna, conscientemente ou não."

Tavares também questionou João Alexandre sobre as letras da música evangélica atual, nas quais o conteúdo teológico dá lugar a mensagens sobre prosperidade material. Para o autor de É proibido pensar - que traz contundentes críticas a maneirismos do gospel contemporâneo -, não existe modismo ("sempre houve esse lado de entretenimento, de agradar o ouvido das pessoas, ao invés de alimentá-lo", avaliou). Mas, para ele, o público precisa ficar atento ao que ouve.

"De muitos anos pra cá, eu decidi, nas minhas letras - assim como mais um número pequeno de compositores que conheço -, voltar à Palavra de Deus, voltar à verdade bíblica, doa a quem doer. Todo mundo procura a verdade, mas, quando ouve, fica incomodado. As pessoas querem ouvir aquilo que gostam, ao invés daquilo que precisam. Então, já que 'a fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus', eu tenho que cuidar muito bem, sim, do que ouço, para que a minha fé não se transforme em qualquer coisa", afirmou.

Ao comentar a música Pra cima, Brasil, de cunho político, João Alexandre defendeu uma participação mais ativa dos evangélicos nos rumos do país.

"A Igreja tem que entrar como um poder transformador, como uma luz de esperança. Se há tantos evangélicos no Brasil e está aumentando tanto, por que o país continua ruim? Acho que a gente também tem um pouco de culpa nisso. A Igreja não tem sido a Igreja que deveria ser, relevante, atuante, embora muitas tenham trabalhado a parte social. Mas a pergunta continua. A cada dia que passa, a gente se surpreende com mais loucura, com mais corrupção, com mais desordem", lamentou.

Na entrevista, João Alexandre também falou de política internacional, corrupção e gravadoras, entre outros temas. Clique aqui para ouvir a íntegra do especial no site da Efrata Music ou aqui para acompanhar no YouTube.

O OFTV vai ao ar todos os sábados, às 8h, misturando histórias e curiosidades musicais com canções de ontem e hoje que não são ouvidas frequentemente nas rádios. Clique aqui para ouvir ao vivo a Sara Brasil FM.

Elvis Tavares é advogado, pós-graduado em Propriedade Intelectual pela PUC/RJ, cantor, compositor, produtor, escritor, radialista e manager da Efrata Music

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