MÚsica Gospel

POR ELVIS TAVARES
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Dudu França, sobre streaming: 'Existe uma oportunidade diferente para quem souber aproveitar'

Publicado em 14-07-2017

Texto: Redação Efrata Music

Tags: cantores(as) e bandas  

O cantor, compositor e ator Dudu França foi entrevistado por Elvis Tavares no programa 'Onde os Fracos Têm Vez' - Foto: Gshow
O cantor, compositor e ator Dudu França foi entrevistado por Elvis Tavares no programa 'Onde os Fracos Têm Vez' - Foto: Gshow

O nome de batismo, José Eduardo França Pontes, pode não parecer familiar. Mas o nome artístico e a figura, certamente, estão vivos na memória de quem passou dos 35 anos e costumava ouvi-lo no rádio cantando Grilo na cuca ou vê-lo na telinha, sobretudo no SBT, como participante do programa Qual é a música? ou apresentador do Vamos nessa.

Convertido ao Evangelho, o cantor, compositor e ator Dudu França foi o convidado de Elvis Tavares no programa Onde os Fracos Têm Vez, da rádio Sara Brasil FM, no último sábado (08/07). Na entrevista, ele contou ao apresentador Elvis Tavares como foi seu encontro com Cristo e opinou sobre o cenário atual da música, da igreja e da política brasileiras.

Também comentou o álbum Eu vejo a luz, seu único trabalho na música gospel, lançado na década passada pela gravadora particular Light Records. Entre as faixas do CD, todas tocadas no programa, estão Sou Jesus, canção a capella com mais de 20 vozes, todas gravadas por Dudu França; Cristo na cuca, versão gospel de seu maior hit; e duas releituras de clássicos da música evangélica: Grandioso és Tu e Segura na mão de Deus.

Confira a seguir alguns trechos da entrevista. Clique aqui para ver a íntegra no YouTube (disponível para computadores) e aqui para acompanhar o áudio (todos os dispositivos).

 

Recentemente, o jornal O Globo trouxe uma matéria dizendo que, em 2016, a captação de direitos autorais foi 34% menor do que a tradicional arrecadação através do rádio. Como o autor de músicas subsistirá no Brasil depois disso?

Sinceramente, eu não sei. O mundo tem sofrido mudanças muito rápidas. Tudo se torna obsoleto. Eu acho que a gente tem que aprender a conviver com a nova realidade. As empresas que não conseguem lidar com isso estão fechando. Hoje em dia, a gente vê que o meio de divulgação não é mais aquele que eu conheci, em que a gente ia às rádios... Tinha até a palavra "caitituar", que era conversar com o programador, levar o cara para um almoço. Essas coisas, às vezes, garantiam uma execução sua. Mas as coisas mudaram. Virou o jabá, a propina... Hoje tem um lado ruim, em que a gente fica perdido, sem saber como fazer. Mas, por outro lado, existe também uma oportunidade diferente para quem souber aproveitá-la.

Em 2014, você fez um anúncio público de que teria contraído um câncer. Como você lidou com isso no momento em que soube do diagnóstico?

Eu fui fazer um exame de ultrassom para verificar a próstata, que eu tenho um pouco aumentada, mas está tudo controlado. Nesse ultrassom, que graças a Deus eu fiz, apareceu um tumor no meu rim direito. Eu fui consultar um dos maiores especialistas, que me falou: "Você está com câncer, porque quando aparece isso no rim, é 95% [de chance] de um tumor maligno". Quando eu retornei ao meu médico, ele falou: "Vamos operar, depois a gente vê com a biópsia". Creio que houve uma providência divina mesmo, porque eu fiz a operação, que foi delicada, foi retirado aquele pedaço e feita a biópsia. O resultado foi negativo. Não era maligno, era um tumor benigno. Eu fico pensando em como Deus agiu. Se eu tinha um câncer realmente, Deus tirou, ou realmente eu não tinha ainda, tinha um tumor que poderia virar maligno. Deus entrou logo com a providência, e por isso eu fiz aquele ultrassom, que nós pegamos o negócio enquanto quando ainda estava no começo. O meu rim está aí, eu não tive que extraí-lo. Eu tenho um rim funcionando direitinho, só sem um pedacinho dele. Isso é maravilhoso. E não foi a primeira vez que aconteceu na minha vida. Aconteceram outros milagres que eu não fico contando.

Uma das músicas mais conhecidas de sua carreira é Grilo na cuca, que veio na época da disco music. Tanto a letra quanto o ritmo passam a ideia de alguém bem jovial e disposto a enfrentar os problemas da vida de maneira muito individual e autossuficiente. Parece que essa música se converteu junto com você, e você a batizou com outro nome...

A música Grilo na cuca continua muito atual. A letra fala de uma pessoa que luta sozinha. Ela é um retrato do que cada vez mais acontece neste mundo. Mas, no início da minha vida cristã, eu acordava muito de madrugada - a gente ouve muitos relatos de gente que acorda de madrugada, Deus parece que acorda as pessoas, aí você ora e vai dormir tranquilo. Só que nesse dia eu acordei de madrugada, orei e não consegui dormir. Me vinha sempre à cabeça "grilo na cuca". "Oh, meu filho, você não tem mais grilo na cuca, porque Eu assumi todos os seus grilos. E agora você Me tem na cabeça." Eu senti quase a obrigatoriedade de fazer uma nova letra para essa música. Levantei, peguei um papel, um lápis e comecei a escrever rapidamente. A música se transformou completamente. No dia seguinte, eu peguei a letra que estava ali do meu lado, peguei o violão e vi que estava dentro da métrica, tudo certinho. Eu cumpri com alguma coisa que Deus parecia que estava falando para mim: "Muda isso, você já mudou".

No disco "Eu vejo a luz", você fez duas excelentes regravações de clássicos da música cristã contemporânea: Segura na mão de Deus e Grandioso és Tu. Qual foi a sua motivação na escolha dessas canções?

Como o meu disco era autoral, com músicas que eu tinha recebido a inspiração de Deus para fazer, eu queria também reverenciar os evangélicos que já estavam há muito mais tempo nessa caminhada. Quis cantar algumas músicas que fossem representativas do Evangelho aqui no Brasil e no exterior. Pensei naquelas que mais me marcavam, com uma história, mas com um arranjo totalmente novo e feito por mim. Esse disco eu gravei sem ouvir muito o que as outras pessoas estavam fazendo. Eu não queria ouvir o que os outros evangélicos estavam fazendo na música porque queria algo que fluísse de mim, mas inspirado pelo Espírito Santo. Acho que fiz um disco diferente de tudo que já foi feito, que é bem o Dudu França, mas sendo nova criatura.

Na sua ótica de cidadão brasileiro, você diria que ainda há chance de o país ser refeito e se tornar uma nação respeitável?

A situação é muito complicada. Parece que se chegou num momento em que precisa fazer uma revirada geral, em cada ser humano brasileiro. A gente nota que isso [o pecado] vem praticamente desde o berço. Eu acredito naquilo que a Bíblia fala: o ser humano é mau de nascença. A gente só pode se tornar melhor tendo Deus ao nosso lado, seguindo os preceitos Dele, não fazendo por sua própria cabeça. Nossa cabeça é pecaminosa, não tem jeito. Todo mundo tem uma tendência ao pecado muito forte. Mas, embora pareça impossível mudar este país e se tornar uma nação respeitada, com Deus nós sabemos que tudo é possível. Não há impossíveis para Deus. Existe esperança, sim.

Quando você se converteu ao Evangelho, atendendo ao chamado de Cristo, automaticamente passou a conhecer uma nova família e uma comunidade de pessoas que, pela natureza da fé cristã, são concitadas a viver em unidade. Como você se sentiu ao ser recebido como novo irmão na fé? Qual seria sua mensagem para quem não sentiu essa transformação ainda?

Eu tive uma acolhida maravilhosa pelas pessoas, foi realmente muito bom, embora eu deva lhe dizer que muitos me decepcionaram. Há pessoas que só estão na fé porque acham que compraram a sua salvação, e não é por aí. Hoje a gente vê muitas igrejas completamente caídas, pastores querendo usar o Evangelho para o seu próprio benefício. Eu fico, muitas vezes, com vergonha do Evangelho que está sendo praticado por aí. Essa situação do Evangelho, de igrejas, falsos profetas, indica que a volta de Jesus está muito próxima. Creio que esse é o lado bacana da história. A vinda de Cristo, eu creio, não vai demorar muito mesmo. Agora, experimentar essa nova vida, se é para dar um conselho, não é só por causa da comunidade ou das pessoas. É claro que você encontra, dentro da igreja, pessoas maravilhosas, que querem o teu bem, que oram, só pensam em coisas boas. Mas experimentar a misericórdia de Deus, os caminhos de Deus... Os meus testemunhos são diários. Todo dia eu tenho algo para falar, que Deus fez na minha vida. Só o fato de eu acordar... Eu fico supergrato de abrir os olhos e ver. Me sinto um homem feliz. Tenho uma família bonita, procuro viver meu caminho, não me falta nada, embora as coisas estejam difíceis financeiramente. Eu digo a você, que ainda não conhece esse lado de Deus, procure conhecer, porque Ele vai tomar conta da sua mente, do seu corpo, do seu coração, se você buscá-lo de todo o coração. Converse com Ele, ainda que você ache que não sabe orar. Ele te ouve e te ama.

Há uns quatro anos, um internauta fez um comentário no canal YouTube logo após ter ouvido a música Eu vejo a luz, título do seu CD gospel. Ele escreveu: "Uma pena mesmo. Gostava muito desse cantor nos anos 1980. Mais uma pessoa que entrou para as seitas que estão se espalhando e enganando as pessoas. Muito triste." O que você pode dizer para aqueles que te aplaudiam, quando você estava na carreira secular, e hoje lamentam a sua conversão?

Eu não posso censurar o cara que fez esse comentário porque eu também, antes de me converter, muitas vezes ouvia uma música evangélica, com alguém cantando maravilhosamente bem, e eu falava: "Nossa, que desperdício. Essa pessoa podia estar cantando aí, para todo mundo, estourando, e ela foi cantar só para o público evangélico". Não posso censurar essa pessoa porque eu era igual a ela, e isso acontece mesmo. Na minha carreira, o fato de eu ter me convertido me fez perder muitos shows. As pessoas falavam: "Agora o Dudu França é só cantor evangélico, ele só canta em igreja, não faz mais shows." O que é uma inverdade. Eu continuo sendo a mesma pessoa, faço um trabalho que é digno, musical. Eu sou um apaixonado pela música, e a gente sabe que Deus ama música, que Ele habita nos louvores. Então, não tenho nada contra isso. É uma tendência natural do ser humano criticar aquilo do qual não faz parte no momento.

Elvis Tavares é advogado, pós-graduado em Propriedade Intelectual pela PUC/RJ, cantor, compositor, produtor, escritor, radialista e manager da Efrata Music

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