MÚsica Gospel

POR ELVIS TAVARES
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Zé Bruno fala em entrevista sobre exposição na internet

Publicado em 06-09-2017

Texto: Redação Efrata Music

Tags: cantores(as) e bandas  meio evangélico  

Para Zé Bruno (à frente), os ideais cristãos não podem ficar restritos às redes sociais - Foto: Leone Sena/Divulgação
Para Zé Bruno (à frente), os ideais cristãos não podem ficar restritos às redes sociais - Foto: Leone Sena/Divulgação

Apenas o fato de ser evangélica seria motivo para blindar uma pessoa pública de críticas de outros cristãos na internet? Para Zé Bruno, líder da Banda Resgate, não.

Em entrevista a Elvis Tavares no programa Onde os Fracos Têm Vez, o cantor, compositor e guitarrista manteve a opinião demonstrada em uma de suas mais famosas letras, Doutores da lei ("Mas lá vêm eles pra nos 'ensinar'/ O que se pode e não se pode fazer/ Têm a honra nos seus lábios/ Mas distante o coração"), e não poupou nem críticos nem criticados.

"O que se vê na internet é gente que está navegando em águas muito rasas na fé cristã e que não compreende. Mas os dois lados [o erro e a crítica] são perigosos. Não denunciar só por que a pessoa é cristã? Ela é tida como uma verdadeira adoradora de Cristo por que frequenta uma igreja ou por que seu comportamento condiz com isso? Como se diz na gíria, o pau que bate em Chico tem que bater em Francisco também. A gente deve ter como anátema aquele que vem com outro evangelho que não é o de Cristo, assim ensinam as Escrituras. Então, a exortação, até pública, existe e é bíblica. A gente não pode jogar água suja com o bebê junto", disse.

Zé Bruno, entretanto, ressaltou que as palavras condenatórias proferidas em redes sociais podem esconder atitudes e interesses igualmente errados por parte dos detratores.

"A crítica, às vezes, é feita por gente que está acobertando os seus problemas ou que quer se promover. Nesse caso, tanto aquele que cometeu o pecado quanto aquele que critica de maneira errada não são cristãos [de verdade]. Se fossem, talvez nenhuma das duas coisas estivesse acontecendo. De toda maneira, qualquer pessoa é passível de tropeçar e também de errar em sua crítica. Mas eu acho que se nós saíssemos mais em defesa do verdadeiro evangelho, isso não aconteceria", opinou.

A internet também veio à tona quando o assunto foi política, tema comum no repertório da Banda Resgate.

Ao comentar a música A hora do Brasil, que critica a imprensa ("Diziam que eram coitados, amordaçados pela censura/ Agora, desfilam nas bancas e imprimem a própria ditadura"), Zé Bruno falou que acha natural a Igreja, como qualquer outro setor da sociedade civil organizada, ter e apresentar seus interesses. Mas, para ele, isso precisa ser feito de outro modo e com o envolvimento de todos.

"O que a gente espera é que a Igreja seja mais informadora. Que o nosso debate saia do Facebook, entre pelas cadeiras e, através dos púlpitos, a gente possa subir a régua desse salto em altura para um nível um pouco mais alto. Que nossa bancada evangélica seja mais representativa do que diz a cosmovisão [visão de mundo] cristã e menos bairrista, porque ela defende, muitas vezes, apenas as cores da sua instituição ou da sua denominação", afirmou.

Para Zé Bruno, a banda que lidera - e é formada também por Hamiltom Gomes (guitarra), Marcelo Amorim (baixo) e Jorge Bruno (bateria) - está fazendo seu "dever de casa" na construção de um Brasil melhor.

"Nosso papel, como banda, é denunciar, apresentar proposituras que tenham a ver com o que a gente crê, e orar para que o nosso país encontre uma saída. Mas a gente sabe que, quanto mais longe do Evangelho, mais longe da justiça", observou.

"Lamento ser considerado um músico gospel"

Mas Zé Bruno acredita que nem todo artista evangélico está cumprindo o que se espera dele. O músico criticou o mundanismo enaltecido por muitos cantores cristãos e se mostrou decepcionado com o meio gospel.

"Nós temos aqui um motor turbo: a música realimenta a pregação, e a pregação realimenta a música. E esse é um sistema doente. É por causa desse sistema que eu lamento ser considerado um músico gospel. Se você entrar em qualquer aplicativo para ouvir música dita cristã, talvez 96%, 97% [do conteúdo] vai ser de triunfalismo, conquista, materialismo, humanismo, autorreferência, empoderamento do ser humano, virtudes terrenas, [temática] que é completamente antagônica à pregação de Jesus", criticou.

Zé Bruno atribui essa realidade à condição socioeconômica brasileira.

"O Brasil ainda é um país de terceiro mundo, atrasado, com muita gente pobre. Não é culpa do povo, é culpa de quem nos governa. Nas grandes metrópoles, a diferença social ainda é terrível. Então, o evangelho mais hedonista entrou nadando de braçada, prometendo mundos e fundos e cobrando, em carnês e indulgências, perdão e milagres. Isso não é fé cristã, alguém precisa falar. A gente recebe muita pedrada, mas fala. Lamento que isso aconteça", desabafou.

Na entrevista, Zé Bruno também falou de momentos marcantes e curiosidades dos quase 30 anos da banda (que surgiu em 1989), a exemplo da gravação, em 1997, do álbum Resgate, que não foi masterizado, e a entrada para o cast da multinacional Sony Music, em 2010.

Também foram lembradas músicas de várias fases do quarteto, desde sucessos como Infinitamente mais, 5:50 AM e Daniel, até o mais recente single, História, do álbum No seu quintal, lançado este ano.

Elvis Tavares é advogado, pós-graduado em Propriedade Intelectual pela PUC/RJ, cantor, compositor, produtor, escritor, radialista e manager da Efrata Music

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