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POR ELVIS TAVARES
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Após 10 anos, Álvaro Tito lança disco com canções inéditas

Publicado em 26-04-2010

Tags: cantores(as) e bandas  

Capa do CD Vitória, lançado de forma independente

É cada vez maior o número de intérpretes do gospel nacional que buscam nas produções indies a solução para a preservação de suas carreiras.

O fenômeno parece ter ligação íntima com o advento da pirataria e dos downloads desautorizados que populam as homepages da rede mundial de computadores, empurrando a vendagem dos discos para o abismo infindável do insucesso financeiro, abrindo uma possibilidade hercúlea - a continuar assim - de extinção das gravadoras.

Enquanto esse cataclismo não se consuma, assistimos às tímidas produções de discos no Brasil gerando prejuízo às gravadoras, e, por via transversa, aos intérpretes, autores e músicos, na sua totalidade, muito embora o segmento gospel tenha sido o baluarte da (pouca) sustentação do mercado fonográfico, conforme dados da Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD).

Um desses contumazes lutadores pela manutenção da vida musical é o cantor fluminense Álvaro Tito.

E a prova fortíssima dessa guerra dele pela sobrevivência no mundo business do gospel Brazil é o novo lançamento que põe no mercado construído de forma independente.

Trata-se do CD “Vitória” (nome sugestivo ao tema deste artigo), onde AT mostra-nos, mais uma vez, toda a sua capacidade musical referendada pelo dom divino do qual é portador.

Ouso, inclusive, a identificá-lo como uma espécie de Quince Jones brasileiro, tal é a proposta revelada nesse e em outros trabalhos em razão do somatório voz, backings, ritmos e sons aplicados na gravação de seus discos.

Álvaro Tito com o cantor Marquinhos Gomes, um dos herdeiros de seu estilo. Ambos são saxofonistas de origem
Alvíssaras para a novidade na inclusão do xote “Varão de fogo”, de autoria do próprio Álvaro, fortificando sua versatilidade rítmica, podendo estar aí uma homenagem velada ao público nordestino, público este dotado de fidelíssima admiração pelo cantor, questão ratificada pelo número quase incontável de apresentações que faz naquela região do país.

Vejo, ainda, que a inclinação para o jazz e para o rhythm anb blues continuam ascendentes no repertório de AT, como é fácil comprovar-se na audição de Mas Ele foi ferido e de Na minha casa, ambas autorais.

Fato é que acionando o play para se ouvir Mas Ele foi ferido (faixa 4), por exemplo, ouve-se uma guitarra passear na introdução, valendo-se de uma pedaleira wah-wah, imitando, inclusive, a voz de Álvaro na declamação de frases literais da música, cabendo espaço até para scratchs dignos dos mais empolgados DJ’s.

Oportuno é lembrar que grandes guitarristas fizeram uso do pedal wah-wah, como foi o caso de Eric Clapton, ao jogar o efeito na canção Presence of the Lord (inspirada no livro de 1º Samuel 6:20), apresentada durante turnê do músico estadunidense nos longínquos anos sessenta.

Enfim, Álvaro Tito é isso aí! Incontestável talento de nossa música e com largas chances de conquistar plateias internacionais em razão de seu talento. Fosse nascido nos United States of America tal reconhecimento já teria ocorrido.

AT foi aclamado por alguns músicos evangélicos como o “Pai do black gospel brasileiro”, sempre trazendo surpresas interessantes em suas produções.

Vale muito ouvi-lo no CD “Vitória”, principalmente por ser esse disco o primeiro de inéditas depois de cerca de dez anos do lançamento de “Levanta-te” pela gravadora Top Gospel.
Elvis Tavares é advogado, pós-graduado em Propriedade Intelectual pela PUC/RJ, cantor, compositor, produtor, escritor, radialista e manager da Efrata Music

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