Leonardo da Vinci é conhecidíssimo, mundialmente, por sua tela
Monalisa. Já o brasileiro
Alberto Santos Dumont passou para a história por inventar o avião. A Teoria da Relatividade foi criada por
Albert Einstein.
Neil Armstrong tem o crédito de ser o primeiro homem a pisar na superfície lunar.
Daniel Berg e
Gunnar Vingren chegaram em Belém do Pará e fundaram a Assembléia de Deus no Brasil.
Martin Luter escreveu as 95 teses que geraram o Protestantismo. O Salmo 23, da Bíblia Sagrada, foi escrito pelo Rei Davi. O Hino da Independência do Brasil foi composto por D. Pedro I.
Escrevi o parágrafo acima apenas para exemplificar a importância da identificação do criador de uma obra.
Infelizmente, no mundo da música evangélica brasileira, ainda persistem algumas mazelas autorais, muito comuns na época em que os discos de música cristã começaram a ser gravados nos estúdios.
O que se viu durante muito tempo foi um descaso e/ou desconhecimento relativos aos autores das músicas. Não se mencionava, em algumas produções, os nomes dos compositores. As capas dos elepês traziam o título das canções, mas ignoravam a paternidade das obras. Nem mesmo com o advento da Lei Autoral, em 1973, tal erro deixou de ser praticado.

Cecília de Souza, hoje, em foto do acervo particular, e Cícero Nogueira
E por falar em 1973, foi nele que Nelson Monteiro da Mota lançou um vinil que continha uma obra que se tornou memorável:
Segura na mão de Deus.
O sucesso da música foi gigantesco a ponto de chegar aos ouvidos daqueles que não professavam a religião evangélica, como já disse aqui no site. Mas... e os créditos autorais de Nelson Monteiro da Mota foram devidamente respeitados? Infelizmente (de novo), NÃO!
Quantas não foram as fichas técnicas de discos desprovidas do nome do Pastor Nelson e, o que é pior, como se não bastasse, algumas delas traziam a (enganosa) inscrição “Domínio Público.”
Outro exemplo dessa “desmemória” pode ser conferido à uma obra de Cecília de Souza. A cantora deu o nome de
Desapareceu um povo a um de seus discos lançados na década de 70, pela gravadora paulista
Novas de Paz, obra esta que entrou para a galeria das músicas inesquecíveis do gospel nacional.

Capa original do LP
Desapareceu um povo, de Cecília de Souza, e dos CDs
Louvores Inesquecíveis, de Marcelo Aguiar, e
Ao teu lado, da banda Metal Nobre
Ocorreram várias regravações de
Desapareceu um povo e uma delas foi realizada pelo
Coral e Orquestra Renascer, nos anos 80, porém, ao invés do título original, eis que da capa constava
Povo barulhento, ratificando, mais uma vez, meus reclames aqui. Mais tarde, em 2005, o mesmo equívoco foi repetido pela
Metal Nobre, de Brasília, ocasião em que a banda a incluiu como a 3ª. faixa do CD
Ao teu lado, e que, além do nome incorreto da música, ainda a rotularam como “corinho antigo” (
leia matéria sobre o assunto), esquecendo-se de Cecília de Souza como autora da obra.
Já Cícero Nogueira possui um sem-número de discos gravados em sua jornada, isto por diversas companhias fonográficas, inclusive, em 1989, pela internacional
Warner Music.
Corria a campanha pelas
Diretas Já! pelo Brasil afora, na primeira metade dos anos 80, quando Cícero trouxe para o seu público o LP
O fogo não pode se apagar pelo selo
Manancial. Este bolero de Cícero é presença constante, até hoje, nos cultos das igrejas pentecostais. Para recordar produções recentes de
O fogo não pode se apagar cito o lançamento de
Louvores que marcaram do cantor Renan, pela
Graça Music, onde o autor teve, nos créditos do disco, sua paternidade musical respeitada.
Na contramão, porém, trafegou o
compact disc de Marcelo Aguiar, intitulado
Louvores Inesquecíveis, (grifos nossos), que além de inserir no encarte do CD, o título da obra como sendo
Holocausto – o nome correto é
O fogo não pode se apagar – ainda puseram como autor “Cícero de Jesus” que confesso não conhecer e que, verdadeiramente, seria Cícero Nogueira, este sim, o pai da música em questão e que deveria figurar na ficha técnica do disco.
Mais uma vez: não se pode violar a honra criativa do autor!