Sou testemunha viva da enorme popularidade amealhada pelo talentoso Ozéias de Paula. Lembro-me que de posse dos meus quinze anos, isto lá por 1977, estava eu numa manhã ensolarada e de festa na igreja Assembléia de Deus de Campo Grande, RJ, quando ouvi as primeiras estrofes de
Eu quero orar (Eu quero orar, Senhor Jesus, eu quero te buscar...). O que chamou bastante a minha atenção, além da música, era a interpretação do cantor. Que voz era aquela?! Sim, ali estava Ozéias Moura de Paula, fruto de uma família tradicional tanto na evangelização da região sudeste do Brasil quanto na música evangélica. Seu pai, por exemplo, o Pastor Antônio de Paula (
in memorian), compôs a efusiva
Hoje sou feliz, trazida em disco no elepê
Cem ovelhas, que marcou a carreira de Ozéias como um fonograma campeoníssimo de vendagem e por ser produzido em época simultânea ao acidente automobilístico sofrido por OP, em 1973, numas das idas e vindas ao Paraná, sede da gravadora
Estrela da Manhã e que por providência de
Jeová Shamá não se tornou fatal.

LP
Canto aleluia 
LP
Dependo de Jesus 
LP
Entrei no templo 
LP
Oásis do amor 
Ozéias no hospital ao lado da mãe Doracy
(in memorian) recuperando-se do acidente

Ozéias de Paula, hoje, ao lado da esposa

A cantora Sara Araújo e Ozéias cantando juntos durante uma programação

O reverendo mexicano Juan Romero
O mineiro de Muriaé, Ozéias de Paula, apareceu no disco
Oásis do amor (a foto foi tirada na Quinta da Boa Vista, RJ), do selo
Doce Harmonia, coadjuvando seus irmãos Otoniel e Oziel, de saudosa memória, tragicamente mortos num acidente em Ijuí, RS, em 1976. Do
Oásis do amor em diante Ozéias deslanchou! Gravou
Gozo da salvação, pelo mesmo selo, em 1970, explorando seus dotes autorais com várias canções como
Tenho Cristo comigo e
Eu era assim. O já mencionado LP
Cem ovelhas (guarânia originariamente intitulada
Visión pastoral composta pelo Reverendo
Juan Romero e versionada por Ozéias de Paula e Pastor Elizeu Menezes) veio a seguir com primorosas obras como
É assim que eu te amo,
Um passo só e
Ninguém se importa. Curiosidade: Ozéias utilizou-se de outra música de
Juan Romero no disco
Jóia infinita quando gravou a marcha
Novo amanhecer (versão de
Alborada eterna) enquanto que a dupla Otoniel & Oziel fez história com o bolero
Que bonito é também de autoria do mexicano. Juan Romero é conhecido nas Américas do Norte e Central como
El trovador latinoamericano.
Posteriormente ao irretocável
Cem ovelhas foi lançado o
Sou a triste ovelha (ainda sob o impacto do acidente de carro); a tríade da capa com o mesmo figurino (
Depois da chuva,
Canto aleluia e
Ozéias e a Harpa) e o jovial
Jóia infinita com destaque para a balada
Para Deus não há impossível (do Edson Coelho).
Em seguida, através da extinta gravadora
Desperta Brasil, veio a público o excelente trabalho
Entrei no templo (negociado depois para a gravadora
Bandeira Branca) onde a dúzia de músicas do repertório saiu da inspiração Divina ao autor Edson Coelho. Da primeira à décima-segunda faixa ouve-se o disco sem o menor cansaço. Estava ratificada naquele acetato uma parceria de incrível sucesso entre Ozéias de Paula e Edson Coelho que perduraria por muito tempo. A faixa
Entrei no templo trazia uma introdução levada por um vibrante sintetizador
Arp string combinado com uma espécie de
ring modulation lembrando um sino de igreja passando ao ataque do contrabaixo dando a deixa para o Ozéias soltar a voz:
entrei no templo, dobrei os meus joelhos...Os discos lançados por Ozéias de Paula eram esperados ansiosamente (ânsia boa) por seus admiradores, nos quais me incluo. Recordo bastante de partilhar momentos agradáveis com os amigos-autores Manoel Severiano (Ozéias gravou dele,
Nada me fará desistir, no CD
Confidência, de 2001) e Álvaro Tito (
Paz e comunhão, de 1982, do disco homônimo, e
Vem filho meu e
O sangue de Jesus, do LP
Tens, de 1983, são canções do Álvaro gravadas por Ozéias). Numa dessas ocasiões estava na casa do Nenel (Manoel Severiano) quando soube por ele que de tanto ouvir o discaço
O amor é tudo seus vizinhos (por osmose) aprendiam as letras das músicas do Ozéias. Tanto é que certa vez em que o
long-play tocava no som
Telefunken pela “milésima vez” a música
Amo, primeira do Lado B, faltou energia elétrica na casa, a vitrola parou de tocar, mas o vizinho não se fez de rogado e continuou a melodia. Detalhe: nem evangélico o vizinho era!
Os vinis
Deus sabe o que faz e
Dependo de Jesus (este último produzido pelo maestro Ed Lincoln) também foram discos totalmente preenchidos com obras do Edson Coelho, sendo que o primeiro teve a batuta dos arranjos musicais conduzida pelo compositor. Outra curiosidade interessante está ligada às canções
Enquanto há vida, há esperança (do
Dependo de Jesus) e
A família de Deus (de
O amor é tudo). Quem ouve as duas primeiras frases dessas músicas percebe que uma deriva da outra, porém, sem ser plágio, o que é mais sensacional!
A passagem pela
Polygram em 1983 trouxe à vida o surrealista
Tens (classificação do próprio cantor confessada, à época, a este colunista), arregimentado com grande orquestra,
Minha alegria e
Com amor, sendo que os reflexos da empreitada daquela multinacional no gospel brasileiro já foram discutidos nesta página eletrônica.
Antes deles, porém, tivemos o empolgante elepê
Viva com Deus (foto tirada nos Arcos da Lapa, RJ), arranjado por Jasiel Braga, seguindo a linha dos melhores materiais de Ozéias, alcançando, com isto, grande aceitação do povo.
O último disco de inéditas do cantor saiu pela já inativa Franc Records, intitulado
Confidência. Atualmente Ozéias de Paula tem preparado coletâneas suas e disponibilizado-as no mercado, não deixando órfãos aqueles que gostam da boa música cantada por um excelente intérprete, coisa que o Ozéias sempre foi.
O AGRADECIMENTO
No dia 3 de novembro, recebemos um e-mail de Ozéias de Paula, agradecendo por este artigo. Confira o que ele nos escreveu:
“Obrigado por comentar a respeito de nosso Ministério, enfim, nosso trabalho. Que o Senhor o abençoe poderosamente e grandemente, irmão Elvis!”