Organizações Globo na trilha da música evangélica
   
As Organizações Globo já voltaram seus olhos para o rentável segmento de música gospel
Venho ressaltando aqui, já de muito, sobre a alavancada que a música evangélica vem processando nos últimos anos, desmitificando o isolamento quase perpétuo do segmento gospel das culturas musicais diversas e a pecha de música de qualidade duvidosa.

Alguns poderiam até dizer que essa heterogeneidade existente entre o gospel brasileiro e os demais estilos musicais estaria atrelada à questão do credo um tanto segregacional professado nas igrejas, rotulado, por vezes, como responsável direto pela não-comunicação do evangelho dito protestante com outras religiões praticadas no Brasil.

Outros poderiam hastear a bandeira da explicação que lhes é tida como lógica e usar o argumento histórico de que a colonização das Américas é a mentora genética dessa distinção musical porque enquanto a parte norte do continente rendeu-se às influências anglo-saxônicas do protestantismo, a outra (a nossa) rezou pela cartilha da religião papal, isto pelas tradições intrínsecas na crença oriunda da Península Ibérica.

Capa do CD Infinito Amor Vol. 2
Uns, mais arvorados, diriam que esse pensamento é pura balela e que, assim como o Muro da Vergonha germânico, a questão já teria caído por terra, bastando-se colocar, como exemplo, as canções evangélicas largamente utilizadas, hodiernamente, pelos intérpretes vinculados à igreja católica, o que, realmente, não deixa de ser verídico, haja vista que canções como Somente olhar a Ti (Osvaldo Nascimento), Podes reinar (Armando Filho) e a cult music Segura na mão de Deus (Nelson Monteiro da Mota) – apenas três citações – já são inseridas em discos pela religião do Vaticano muito antes de surgir Marcelo Rossi, o mais pop dos padres já surgido no Brasil e que vendeu mais de três milhões e duzentas mil cópias em três meses de lançamento de seu primeiro CD “Canções para louvar ao Senhor” pela Universal Music Group, ajudado que foi pelas músicas Anjos e Basta querer, dos autores evangélicos Elizeu Gomes e Jorge Guedes, respectivamente, usadas antes em disco por Marco Aurélio e Carlinhos Félix, ambos pela MK Music.

Nesta mesma esteira caminharam o Padre Zeca, o padre-surfista, colocando Autoridade e poder (Marcos Góes/Domício Jr), em seu CD “Deus é dez” pela EMI Songs; Maria do Rosário e Reginaldo Manzotti com Mãos ensangüentadas (Osvaldo Nascimento), por gravadoras católicas.

Capa do box Louvor e Adoração
Mas, eu iria “menos” além, ou seja, retrocederia à história dos primórdios da música sacra, onde evangélicos britânicos, germânicos, suecos e norte-americanos compunham verdadeiras obras-primas e por isto, imortalizadas, dada à inspiração, exclusivamente, Celestial, dada a Martin Luther (Ein feste Burg ist unser Gott) e Carl Boberg (O Sole Gud).

Voltando às falas do prólogo deste texto, quero (re)dizer que nos Estados Unidos da América não se distingue música popular de música gospel quando se faz a contabilidade da prestação de contas dos créditos advindos do direito autoral, nem tampouco rádio e televisão deixam de veicular em suas programações diárias, a gospel music, pois lá, diferentemente daqui, esses estilos musicais andam pari passu.

Mas, voltemos ao hoje!

Aline Barros, cantora casada com o ex-jogador de futebol Gilmar, deu o pontapé inicial (perdoem-me o trocadilho) na questão abordada neste artigo, transformando-se na primeira artista evangélica a ter uma canção escolhida para trilha sonora de uma novela da Rede Globo, falo da música Recomeçar que incorporou o repertório do folhetim Duas caras.

Mas, as Organizações Globo, através da gravadora Som Livre, já tinham voltado seus olhares comerciais para o evangelismo musical – e rentável – dos discos brasileiros. Tanto é que em 2007 predispôs-se em lançar o CD Infinito Amor, tendo ali Sérgio Lopes e Shirley Carvalhaes, entre outros baluartes nossos.

Nos anos 80, o cantor Jessé lançou um álbum religioso pela RGE
Neste mês de novembro temos nas lojas (até nas virtuais) o volume segundo do Infinito Amor e também um box com quatro cedês intitulado Louvor e adoração, produzido pela Som Livre, onde podemos encontrar, na coletânea, as músicas Promessa com Marco Aurélio, Bem querer com Marcos Góes e Diz pra onde você vai com Elvis Tavares.

Estamos às portas do Natal, tradicionalmente, tido por muitos como ocasião propícia para presentear parentes e amigos.

Pois, bem! A gravadora Som Livre está oferecendo a todos uma boa oportunidade de fazê-lo ao disponibilizar ao público o box Louvor e Adoração e Infinito Amor, volume 2.

Em tempo: o selo RGE, de propriedade do Sistema Globo, na década de 80 fabricou um LP com músicas evangélicas tradicionais chamado Ao me pai, do saudoso cantor Jessé, ligado à Igreja Presbiteriana, mas que seguia a carreira de cantor popular.
   
   
   
   
   
   
   
 
 
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